domingo, 11 de outubro de 2009

Políticas públicas de cultura e emancipação social

Adamantina transita em um projeto de gestão pública de cultura que chega com oito anos de atraso. Uma rápida reflexão mostra que os atuais resultados locais na área de cultura – por meio das iniciativas do poder público municipal e seus parceiros desde a criação da Secretaria Municipal de Cultura em 2005, pelo prefeito Kiko Micheloni – são bastante positivos, todavia, poderiam ser bem melhores.

Basta olharmos para a história recente de nossa cidade. Havia algo em curso, com bons resultados, até o mandato Ivo Santos (1994-1997) e com a transição para o governo de José Laércio Rossi, em dois mandatos (1997-2000 e 2001-2004), estaciona-se em um período de nulidade absoluta, com a interrupção de uma positiva ação dirigida pelo então secretário de educação e cultura no período Ivo Santos, Silvio Graboski de Oliveira.

Todas as ações realizadas no período de 1994 a 1997 tiveram excelente resultado. Na época, eu era agente cultural da Rádio Cultura de Adamantina e desempenhava o papel de produtor. Acompanhava de perto essa movimentação, proposta dentro de um plano de governo denominado Administração Novo Rumo. Foram apresentados caminhos, com bons resultados, movimentação cultural e presença do público.

O novo governo, de Rossi, se depara com um modelo bem sucedido de relacionamento da cultura com o cidadão adamantinense. Porém, a herança é vista equivocadamente como fruto do governo anterior e no simplista exercício de neutralizar as ações que deram certo para não conferir mérito ao antecessor, decide-se absurdamente pela não continuidade das ações.

Ao longo de longos oito anos de Rossi (1997-2000 e 2001-2004) pouco foi feito, pelo poder público e pela sociedade. O primeiro se ausentou e promoveu um vazio cultural regado a esporádicos eventos como carnaval e aniversário da cidade, atreladas orçamentariamente ao gabinete do prefeito. A segunda apenas reclamou, mas não se articulou, não tomou posição nem exerceu seu papel de cobrar.

Viu-se o sucateamento da emissora pública Rádio Cultura FM, que é de todos os adamantinenses. Preferiu-se canalizar recursos para emissoras privadas ao invés de investir no bem público que poderia atingir a mesma finalidade, caso fosse tratada como estrutura estratégica de relacionamento com o cidadão. Se os mesmos recursos dirigidos à iniciativa privada fossem aplicados na emissora pública, teríamos a maior emissora de rádio de toda a região.

Com o esgotamento operacional e administrativo a emissora foi entregue à FAI sem qualquer contrapartida, que agora precisa “devolvê-la” à comunidade. Não digo a devolução legal, voltando ao controle da Prefeitura de Adamantina, mas devolvê-la no sentido de legitimar sua função original, em servir e atender aos interesses comunitários. Cabe aqui, nos dias atuais, um desafio muito grande.

Nesse período, também, o Projeto Guri não sobreviveu com a falta de apoio institucional do poder público local e o pólo Adamantina foi desativado. Perdeu-se a oportunidade de termos hoje resultados que ainda levaremos algum tempo para alcançar. Temos bons frutos, mas poderia ser melhor e temos que reconhecer isso. O que já poderia estar dando resultados teve que ser reiniciado, do zero.

Sobraram Biblioteca Municipal e Banda Marcial. A primeira sem qualquer investimento público que tornasse o local confortável e que motivasse as pessoas a buscá-la. Anfiteatro com carpete rasgado e ventiladores que funcionavam parcialmente são as lembranças visuais mais marcantes. A Banda Marcial sobreviveu graças ao esforço e mérito de seus componentes, comprometidos integralmente com a mesma.

Desde a criação da Secretaria Municipal de Cultura em 2005 pelo prefeito Kiko, até os dias atuais, temos bons resultados. Em 2008 foram 58 eventos culturais realizados e/ou apoiados pela Secretaria Municipal de Cultura, que movimentaram 77.599 pessoas. Em 2009 já superamos o índice anterior, em público e eventos, o que mostra um crescimento vegetativo natural, de bons resultados que inspiram e motivam novos resultados.

Em 2005 o orçamento municipal para a cultura era de R$ 196.500,00. Em 2006 foi para R$ 249.722,00 (+ 22,5%), em 2007 atingiu R$ 356.700,00 (+ 48,17%) e em 2008, R$ 418.755,00 (+ 17,39%). Para 2009 mantém-se a tendência de crescimento, com previsão de serem alocados R$ 479.000,00 (+ 14,38%). A evolução de 2005 para 2008 foi de 143,7%.

Cabe ressaltar que não é necessário, essencialmente, muito dinheiro para começar algo novo. O que mais exige, sobretudo, é a ousadia, e esse é o principal fator a se considerar. Historicamente e infelizmente, em muitos municípios brasileiros, a cultura é elemento decorativo, sem importância estratégica na pauta de políticas públicas. É a área onde se acomodam aliados políticos, e para onde se direcionam apenas os recursos estritamente necessários e quase que exclusivos para o custeio da folha de pagamento, sem qualquer possibilidade de investimentos.

O governo do prefeito Kiko, tem a sensibilidade em dedicar especial olhar para a cultura. Criou a secretaria municipal de cultura nos primeiros seis meses de governo, e tem dado, dentro da possibilidade orçamentária, condições iniciais para aquilo que entendemos ser um projeto cuja consolidação ainda vai levar alguns anos. Temos uma história recente bastante positiva na área de cultura, com mais acertos do que erros. E o bom resultado gera expectativas e exige a cada ano, mais de nós mesmos.

Propomos, nesse quinto ano do governo Kiko Micheloni uma política pública de cultura que tem agregado valores institucionais importantes, e cujos resultados serão conhecidos a médio e longo prazos. Os primeiros resultados que computamos até agora são mérito do conjunto de acertos, da clareza de gestão, do olhar técnico à área, enfim, esses fatores projetam para toda a região e até mesmo para o Estado, um modelo confiável, realmente voltado para a gestão de cultura, sem ingerências políticas.

A lição do passado se aplica aqui também. Que nossos adamantinenses exercitem a cidadania, participem e cobrem pela permanência de uma gestão pública de cultura, dentro da pauta de ações estratégicas do governo municipal. O maior erro da nossa história recente foi a ausência do poder público, nessa área. Todavia, por mais que tenhamos reclamado, pouco foi feito, organizadamente, para cobrar. Que a experiência vivida e o bom momento inspirem todos a cobrar, pela ampliação da oferta de cultura e a emancipação social que ela provoca no indivíduo e na coletividade.

Dia 15 de outubro, vamos conversar sobre tudo isso. Nosso encontro vai ser no anfiteatro da Biblioteca Municipal, às 20h, na II Conferência Municipal de Cultura e eleição do Conselho Municipal de Cultura 2009/2011. Sua presença é importante para toda a cidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

É hora de conversar sobre gestão pública de cultura

As ações no campo da cultura, em Adamantina, são publicamente reconhecidas e aplaudidas pela nossa população. Isso motiva, impulsiona e desafia.

O setor deve ganhar um novo dinamismo, em todo o Brasil, e a expectativa gira em torno da aprovação do Plano Nacional de Cultura, levando os Estados e municípios a elaborarem seus planos estaduais e municipais.

O Plano vai envolver todos os envolvidos no “Sistema Nacional de Cultura”, bem como nos sistemas estaduais e municipais. Inicia-se assim, entre todos os entes federados, a construção de efetivas políticas públicas para a cultura, como já são a educação, saúde, assistência social e outras.

Para a grande maioria das cidades brasileiras essa dinâmica é novidade. Para nós, toda essa relação e vivência já existem. Há o que ser melhorado e fortalecido e devemos superar os novos desafios.

Essa é a grande diferença que coloca Adamantina em condição de vantagem e maturidade.

Agora o debate deve ser ampliado e fortalecido. A sociedade civil e a área governamental são chamadas para fortalecer o diálogo, com o desafio de avaliar a trajetória e traçar perspectivas.

Os núcleos dos debates são a II Conferência Municipal de Cultura e o Conselho Municipal de Cultura, no encontro marcado para 15 de outubro. A partir daí, consolidaremos a agenda da política de cultura de Adamantina, num caminho irreversível, para a promoção da cidadania, cultura e qualidade de vida.

Texto da agenda cultural VIVA CULTURA - Secretaria Municipal de Cultura de Adamantina (out/09)


sábado, 12 de setembro de 2009

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, numa terra de gente feliz e trabalhadora, existem e resistem aqueles que sempre se põem como porta-vozes da verdade, ou das suas “verdades”. Se vestem de verde e amarelo e esbravejam nas mesmas cores.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, soldados de madeira com cara de pau. Soldados laranjas. Outros transparentes. Soldados que fazem a segurança do rei, no seu reinado de faz-de-conta. De bocas que falam, ouvidos que não ouvem, olhos que não enxergam, pernas que dão rasteiras e mãos que surrupiam.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, fauna e flora se misturam. De pássaros, que pairam sobre poderosas torres, saltam de galho em galho de frutos podres e onças que fazem proteção do entorno.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, faz-se o que quer fazer. Põe-se a serviço de si mesmo e de suas vontades. Cerca-se em seu quartel insociável na soberba da auto-crença, cortejado por um pelotão de plantão, de fiéis e interesseiros bajuladores.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, coronel à paisana, com a mais poderosa das armas, põe-se a falar. Fala a serviço de si mesmo. Constrói versões fantasiosas e oferece ao povo, num banquete, de cardápio duvidoso, de ingredientes que ferem e fazem adoecer.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, um mundo do faz-de-conta se faz em ondas no próprio quintal. Ondas que vão e vem. De cima pra baixo e de baixo pra cima. Pra todos os lados de um mesmo lado que privilegia aquele que está do lado de lá.

Longe daqui, perto e dentro do meu Brasil, prá lá do velho oeste paulista, cansado de ouvir órfãos feridos, perco o apetite e desligo o som.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pré-profecia


Sarney,
Senado,
Sanado.

Sem lei,
Sem ética,
Sem lado.

Mercado,
Mercandante,
Marcado.

Bancada,
Sem nada,
Ferrado
.

Irado.
Errado.
Surrado .

Bigode,
Bigodes,
Senado.

E o povo,
Do lado,
De fora.

Espera,
Em fera,
A hora.

Dois mil,
E dez,
É agora.


Faxina:
O Brasil,
Implora.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Globo x Record: a melhor defesa é o ataque

Um reality-show sobre o papel da mídia e seus financiadores, no cenário brasileiro, ocupa o horário nobre das duas maiores emissoras abertas de TV do Brasil, que se duelam numa guerra de força.

Em um canal a hegemonia e soberania daquela que sempre se mostrou muito próxima do poder, e que hoje se vê diante de um novo cenário desenhado pela redemocratização do Brasil e a globalização. Esteve próxima de governos ditatoriais e trouxe para si essa mesma característica, de superioridade, enfrentamento e sobrevivência a qualquer custo.

Eleger e destronar. Sempre se pôs a fazer e desfazer governos, atribuindo a si o mérito por cada passo dado pelo País. Teria sido financiada com capital estrangeiro do grupo americano Time Life – o que era proibido na época e teria sido facilitado pelas trocas da relação mídia e poder –, depois com repetitivos aportes de recursos públicos do BNDES, Caixa Federal e outras agências de fomento.

Na reabertura política, nos anos 80, se pôs à margem do movimento Diretas Já, negligenciando sua existência e sua mobilização. Quanto o tema era tratado nos telejornais, dava-se outro enfoque, bastante diferente da realidade. Fala-se também sobre as tentativas de fraudar as eleições ao governo do estado do Rio de Janeiro, na candidatura de Leonel Brizola e a edição propositalmente favorável a Collor, contra Lula, na eleição presidencial de 1989.

No outro canal, a proximidade com a religião neo-pentecostal é indissociável. Nem a tentativa de propor um conteúdo competitivo durante a maior parte do dia e segmentar a programação tornando-a religiosa nas madrugadas – a grade da salvação –, não distancia o canal dessa evidente relação. A emissora tem projetos ambiciosos, que conectam fé + mídia + poder.

Aqui, o financiamento da expansão da emissora teria relação com a religiosidade, o que é objeto de investigação pelo Ministério Público. Dízimo não é pecado. Nem é crime. O que não se permite, primeiramente, é persuadir e induzir o fiel a entregar-se cegamente em nome de Deus e da prosperidade prometida. Um segundo aspecto questiona os caminhos percorridos pela arrecadação dos templos.

Da fé ao poder, a história recente mostra o esforço da emissora em tornar um de seus bispos – Marcelo Crivela - em um dos destaques de sua programação, quatro anos atrás, proferindo “bênçãos” em diversos programas, divulgando obras assistenciais da igreja e cantarolando músicas de forte apelo emocional e religioso.

Enquanto canais católicos como a Rede Vida davam espaço à tradicional “Ave Maria” das 18h, a emissora liderada por Edir Macedo colocava no ar, na mesma faixa de horário, o bispo “candidato” a proferir bênçãos e oração entre os dramas sangrentos do telejornal sensacionalista Cidade Alerta. O drama do cidadão metropolitano, pobre e favelado era confrontado com a fé salvadora e acolhedora, proposta em voz mansa pelo religioso.

Crivela usou dessa vantagem e teve sua eleição ao Senado. Depois, para a disputa à prefeitura do Rio de Janeiro, não conseguindo eleger-se. Sua presença na prefeitura, onde está a sede da tradicional emissora carioca, era algo estratégico e com certo tom de provocação.

Hoje, cada uma das duas maiores emissoras de TV aberta do Brasil pauta sua concorrente dessa maneira. Cada uma cria a versão mais conveniente de ataque e contra-ataque, mas nenhuma se propõe ao debate racional sobre o papel que cada uma desempenha no Brasil e pela democratização do acesso à informação.

Aqui, cabe ao telespectador cidadão o papel de saber interpretar o que ocorre. Não é a busca pela verdade ou pelo desmascaramento do inimigo declarado. O que se tem como núcleo desse enfrentamento é a briga pela audiência e o faturamento, a qualquer custo. É a velha máxima, onde a melhor defesa continua sendo o ataque.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quem apagou a luz?

[ Sobre o apagão na noite de quarta-feira, 5 de agosto de 2009 ]

Quarta-feira.
Dia de feira.
Noite com feira.
Pé com frieira.
Fé com freira.

Noite negreira.
Sem luz, por inteira.
A lua clareia.
As estrelas, alumeia.
A dúvida bloqueia,
a busca alheia.
Por informação verdadeira.
Pra saber, a quem queira.
Quem fez brincadeira,
De apagar a luz,
da cidade inteira!

A dúvida rodeia.
A cabeça inteira.
A vela clareia.
A mão palpeia
a parede alheia.

Mas a dúvida, semeia.
Quem tá com brincadeira?
Não digo bobeira.
Trombei na cadeira.
Xinguei besteira.
Puta que pariu, parteira!

A TV, conselheira.
Nada é verdadeira.
O Timão de chuteira.
A torcida inteira.
Aqui é guerreira.

São Jorge, guerreiro.
Que da lua, alumeia.
Dai a luz, e ilumina.
E nos olha de cima.
Pra cidade inteira!

Escrevi bobeira?
Desculpe a brincadeira.
Foi vontade certeira.
De falar coisa alheia.
Boa noite, noite inteira!
Agora, a luz alumeia!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sabor de escola

O frio do último fim-de-semana trouxe boas e saborosas lembranças. Aliás, especificamente falando, uma especial lembrança.

Era noite de segunda-feira, zapeando entre os canais de TV e sapeando entre os cômodos do apartamento. Lá e cá, na busca do que fazer, frente a tantas coisas a serem feitas.

Laptop sobre a mesa à espera. E antes de qualquer coisa, uma caneca de leite quente. A medida de sempre: açúcar e água na caneca azul, por 2 minutos no microondas. Depois misturei o leite em pó. E ousei colocar um pouco de canela em pó.

Rapidamente a fragrância agradável e convidativa me conduziu para o reencontro com os velhos tempos de escola. Velhos e bons tempos no refeitório da escola Teruyo Kikuta, sob as habilidosas mãos de Dona Yolanda e Dona Nice. São essas as minhas lembranças mais marcantes desse aconchegante cantinho.

Chão de piso vermelho. Mesões sem bancos para que as refeições da merenda fossem rápidas. E as inesquecíveis canecas de plástico, azuis, com o mapa de São Paulo estampado em branco. Detalhes marcantes, dos eternos anos 80. Nas canelas, o leite preparado por elas. Do mesmo leite faziam um arroz-doce que esperávamos ansiosos pela oportunidade de repetir.

Cartilha Caminho Suave: A de abelha, B de barriga, C de cachorro, D de dado, E de elefante... F de faca, G de gato... Seu Zé, Dona Augusta, Dona Inês, Dona Sônia, Dona Santa, Dona Benê, Dona Helena, Seu Luiz Sasso. Mais adiante, Roserlei Alves (alguém se lembra de “copia, chupinzada”?), Edson Hirosse, Akihito Hira (que me chamava pelo sobrenome, “Guerrero”), Maria Watanabe (que chamava pelo número na lista de chamada, “um”). Que time de professores, quantas pessoas inesquecíveis. Quanta bagagem e aprendizado carregamos até hoje e nos fizeram pessoas de bem. Quanta transferência de conhecimento, valores e histórias de amor e dedicação, nos deram nossos professores...

Eu sequer conseguia sentar nas muretas do corredor de paredes verdes do primeiro bloco. Hoje, vejo o quanto eu era pequenino, já que as mesmas muretas são um pouco mais altas que a altura dos meus joelhos.

Lembro de coisas inesquecíveis. Da vacina contra a febre amarela aplicada com pistolas pela equipe do posto de saúde. Da visita do bispo diocesano Dom Osvaldo e a adaptação à música que os brasileiros cantaram para o Papa: “A benção, Dom Osvaldo, nossa escola te abraça...”. A gincana pela limpeza da Escola, de números pares e ímpares divididos, formando as equipes verde e amarela.

Histórias inesquecíveis, também, com a loira do banheiro. Das tiradas dos amigos que diziam “Teruyo Kikuta, entra burro sai biruta”. Quantas brigas e desaforos por conta disso. E quantos talentos nossa Escola revelou, desfazendo qualquer insulto.

Pois bem. Volto para a noite de segunda-feira pós-frio que castigou a todos no fim de semana. Leite pronto. Leite em pó na água quente e canela. Como isso fez bem. Quantas coisas despertou. Quantas lembranças trouxe. Quanto calor e aconchego. Como tudo isso fez bem!

Quero beber desse leite, todas as noites.

Servidos?

domingo, 26 de abril de 2009

É hora de atualizar o blog.


O último texto é de 1º de novembro.

Um novo amigo viu hoje, leu e disse que gostou.

Mais do que nunca, preciso atualizar o blog.

Pensei num tema e não encontrei.

Aí, resolvi escrever sobre o tema que precisaria ter para escrever o blog.
Na sala a TV ligada desvia a atenção. No notebook os amigos chamam no messenger e agora, um convite para comermos algo hoje a noite, em algum lugar. Na rua, uma buzina me faz ir até a janela, mas não era comigo.

O tempo passa. Não tenho nada tão importante para fazer hoje, afinal é domingo. Se não estivesse aqui, procurando o que escrever, estaria zapeando o controle remoto e procurando uma opção entre os canais abertos e a TV paga. Talvez se eu parasse e buscasse na TV alguma sugestão, poderia encontrar.

Mas lá, todas as histórias tem finais felizes. Ficção e realidade. Até Jornal Nacional tem final feliz, todas as noites. Começa quente. Morno. Trágico. E sempre se encerra com reportagens felizes, a maioria sobre esportes. Assista o próximo e veja como sempre termina.

Bom, TV aberta aos domingos é um saco. Pouca coisa se salva. Apologia a tudo. Sensacionalismo assistencial-filantrópico, de ajuda aos mais carentes que querem a reforma da casa ou da lata velha, uma repaginação no visual, o reencontro familiar e tudo mais que estabeleça a comunicação entre o telespectador passivo sentado no sofá com o comando do controle-remoto na mão, e o telespectador-personagem escolhido para ser o grande “feliz contemplado” do fim de semana, para enfim, o fim do drama.

O tempo passa. E já consegui escrever alguma coisa. Agora, estou na 27ª linha do Word. É quase meia página A4. O texto já existe. Bom ou ruim. Razoável ou Insignificante. É o texto que atualiza o blog!

Até o próximo!

sábado, 1 de novembro de 2008

A chuva levou Chico César


Faltavam poucas horas para o show de Chico César em Adamantina, dentro da Mostra SESC de Artes. Tudo tão perto... Uma cidade inteira esperando, para encontro com o músico, na Estação Recreio, junto com a tradicional feira-livre de quarta.

Tudo foi preparado para que nada desse errado. A divulgação e a boa atmosfera cultural em nossa cidade criaram uma expectativa em toda a Adamantina. Esperávamos, ansiosos.

Caminhão pipa na Estação logo pela manhã, lavando tudo, assim como se limpa a casa para receber a visita que nos agrada. A colaboração e a mobilização dos feirantes, em redistribuir a feira, naquela quarta, para a grande festa. O sim do público, cujas bocas multiplicavam os convites.

Música, pastel de feira e yakisoba. Composição perfeita. A melhor combinação, para a melhor quarta-feira de todos os tempos. Acho que daria até mesmo uma boa letra de música e, quem sabe, escrita por Chico.

A distribuição das barracas com essas delícias, em torno do local do espetáculo, permitira o luxo maior: servir-se, ao ar livre, em nosso quintal, com amigos, e Chico, ao vivo. Isso é para raros! “Mama África! A minha mãe... é mãe solteira. E tem que fazer mamadeira, todo dia! Além de trabalhar como empacotadeira, nas Casas Bahia”.

Alimento para o corpo e a alma. Os melhores salgados e a melhor comida oriental, para o corpo, e a música de Chico com as outras atrações da Mostra SESC, para a alma.

Sensibilidade. Emoção.

O céu chorou.

A chuva veio e levou o Chico.

Uma quarta-feira inesquecível, encharcada, transformando expectativa de cada um em água. A expectativa de todos e a simbólica lágrima, em enxurrada, que seguia seu curso, rumo à boca de lobo, galeria abaixo. Os artistas, também, tomaram rumo.

Essa quarta-feira foi, verdadeiramente, inesquecível.

Até a próxima!




terça-feira, 28 de outubro de 2008

Entre a Sorveteria Spumone e o Bar do Tião

Tenho sido cobrado, pelos mais próximos, para que atualize meu blog.

Não sei por onde começar. Procurei um tema, dentre tantos. Saí até a sacada, olhei para o horizonte castigado pelo calor.

A cada olhar, uma nova inspiração. E muita transpiração.

Bem perto, a Sorveteria Spumone. Picolé e bola de sorvete na casquinha, à moda antiga. Opção para refrescar a cuca, na média Capitão (nem tão pra cima, nem tão pra baixo). É o socorro refrescante para quem sobe ou desce. No ponto.

Um pouquinho acima, o Bar e Restaurante Paulista, em reformas. Salão ampliado, para o simpático Tião receber mais clientes e amigos. Os de sempre, e os novos. Sorriso no rosto para satisfação do freguês. Comida caseira, no anexo. Mesas, cadeiras e banquinhos disputados junto às janelas de vidro blindex. O melhor lugar para quem quer ficar dali, à toa, olhando quem sobe e desce, quem cruza, olha e buzina, na famosa esquina. Não é Ipiranga com São João, mas é Adhemar de Barros com Capitão.

Acho que está bom.

Meu blog já está atualizado, com um novo texto, de um rápido olhar sobre a avenida Capitão, entre a Sorveteria Spumone e o Bar do Tião.